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Mitos e Verdades sobre o Distúrbio da Tireoide

Por Dra. Priscila Scatena Costa
· Artigos

  Hipotireoidismo engorda.

Mito. Embora o ganho de peso seja uma das manifestações clínicas do hipotireoidismo, existem muitos pacientes portadores da disfunção da tireoide que não apresentam esta queixa. Quando ocorre, o peso é pequeno, de cerca de 2kg e o tratamento reverte totalmente este efeito do hipotireoidismo.

 

  Hipotireoidismo causa depressão.

Verdade. Metade dos pacientes com hipotireoidismo apresentam sintomas depressivos e até mesmo depressão, e um terço dos pacientes com depressão tem hipotireoidismo. Os hormônios tireoidianos agem nos sistemas noradrenérgico e serotoninérgico que são importantes para o humor, assim como em várias áreas do cérebro, sendo importante para a memória, raciocínio, libido, sono-vigília, entre outros. Portanto, pacientes com hipotireoidismo devem ser avaliados quanto à alteração de humor e pacientes com depressão devem ter a função tireoidiana avaliada.

 

  Hipotireoidismo faz perder cabelos. 

Verdade. Tanto o hipotireoidismo quanto o hipertireoidismo podem ser causas de queda de cabelo. Estas alterações da tireoide podem ser diagnosticadas através de exames laboratoriais. O tratamento correto das doenças da tireoide pode corrigir a perda capilar. 

 

  Hipotireoidismo atrasa o metabolismo.

Verdade. Pessoas com hipotireoidismo sofrem a redução da sua atividade metabólica. Sendo assim, o organismo gasta menos energia, além de reter mais sal e água, provocando inchaço. 

 

  Hipotireoidismo não afeta a qualidade de vida.

Mito. Se não tratado ou tratado de forma inadequada, o hipotireoidismo vai alterar de forma importante a qualidade de vida, pois causa infertilidade, cansaço, sonolência, alterações de humor e memória, e ganho de peso - o que, com certeza, prejudica o desempenho no trabalho, lazer e até a atividade intelectual. 

 

  Todo nódulo de tireoide é câncer.

Mito. O principal sinal do câncer de tireoide é um caroço (nódulo) na tireoide. Porém, em boa parte dos casos, esse tumor não apresenta qualquer sintoma. É comum o médico descobrir o nódulo durante um exame físico de rotina. O diagnóstico do câncer de tireoide é feito com uma biópsia do nódulo de tireoide ou após sua remoção por cirurgia. Estima-se que 60% da população brasileira tenha nódulos na tireoide em algum momento da vida, sendo a maioria deles benigna. 

 

  Hipotireoidismo só surge em mulheres.

Mito. O hipotireoidismo atinge pessoas de ambos os sexos e de todas as idades. Porém, certos grupos são mais vulneráveis:

• Mulheres, especialmente acima dos 40 anos;

• Pacientes em radioterapia de cabeça e pescoço;

• Pessoas que já tiveram problemas de tireoide;

• Usuários de lítio ou amiodarona;

• Homens acima dos 65 anos;

• Pessoas com histórico familiar de doença autoimune.

 

  Hipotireoidismo causa impotência sexual.

Verdade. A doença pode causar diminuição da libido, impotência e diminuição na quantidade de espermatozoides.

 

  Só idosos desenvolvem hipotireoidismo.

Mito. Apesar de ser mais comum em pessoas acima dos 40 anos, o hipotireoidismo pode ocorrer em todas as fases da vida. Crianças, adolescentes, adultos e idosos de todas as raças e gêneros podem ter a doença. 

 

  Eu posso controlar o hipotireoidismo com alimentação.

Mito. Pacientes com hipotireoidismo podem se beneficiar de uma dieta mais específica para a redução de sintomas comuns à doença como inchaço, fadiga, enfraquecimento de unhas e cabelos, ao mesmo tempo em que ajuda na redução ou manutenção do peso. Porém, nenhum alimento, suplemento alimentar nem qualquer fórmula é capaz de substituir o tratamento clínico da doença.

 

  Alimentação ajuda na redução dos sintomas de hipotireoidismo.

Verdade. Existem alimentos e nutrientes que podem contribuir para uma melhor qualidade de vida para os pacientes de hipotireoidismo e também alguns que devem ser evitados. O consumo excessivo de sal, por exemplo, pode ser nocivo porque o sal de cozinha é iodado por força de lei com o intuito de prevenir o déficit de iodo. O excesso de sal pode prejudicar a tireoide. Uma dieta saudável para pacientes com hipotireoidismo inclui grãos integrais, alimentos naturais, castanhas, abundância de frutas e vegetais e uma boa oferta de proteínas magras. Importante lembrar que, no hipotireoidismo, a boa alimentação deve ser sempre associada ao tratamento clínico.

 

  Todo mundo que tem hipotireoidismo, tem um “papo” no pescoço.

Mito. Existem algumas formas (causas) de hipotireoidismo e nem todas apresentam o bócio (“papo”). Além disso, em geral, os outros sintomas da doença normalmente levam o paciente a procurar ajuda médica antes que a doença progrida até este ponto.

 

  Mulheres com hipotireoidismo não podem engravidar.

Mito. Doenças da tireoide não tratadas podem levar a problemas de fertilidade em ambos os sexos.  As pacientes que apresentam deficiência grave da tireoide, de duração prolongada, têm menor chance de engravidar ou, quando concebem, de manter a gravidez. Estudos mostram que 2,3% das mulheres com mais de um ano de infertilidade têm hipotireoidismo. Já 69% das pacientes têm disfunção ovulatória. Mas observa-se que 64% engravidam após receberem o controle adequado¹. Caso a mulher já tenha sido diagnosticada com hipotireoidismo e venha controlando a doença, as chances de engravidar e ter uma gestação saudável são iguais as de uma mulher que não tenha a doença.

 

  Hipotireoidismo causa retardo mental.

Verdade. O hormônio da tireoide é fundamental para o desenvolvimento do cérebro do bebê. As crianças que nascem com hipotireoidismo congênito (sem função tireoidiana ao nascer) podem ter sérias sequelas cognitivas, neurológicas e de desenvolvimento, caso o problema não seja identificado e controlado precocemente.

 

  Hipotireoidismo pode ser detectado pelo Teste do Pezinho.

Verdade. Retira-se uma gota de sangue do pé do bebê no terceiro dia de vida. O exame ajuda a verificar se a tireoide do bebê está funcionando bem, além de atestar a ocorrência de outras doenças. Se o hipotireoidismo congênito for controlado de forma adequada e precocemente, a criança leva uma vida normal.

 

  Tomar hormônio tireoidiano é bom para emagrecer.

Mito. Só emagrece quem faz uso do medicamento sem ter hipotireoidismo. Além disso, ser absolutamente contra-indicado, primeiro a pessoa perde calorias derivadas dos músculos e só depois é que são consumidas as reservas de gordura. Isso significa que antes de eliminar a barriga, há uma redução da musculatura, o que leva à perda da força e à flacidez. Pior ainda é que o excesso de hormônios acelera a reabsorção do cálcio do osso, o que leva ao enfraquecimento do esqueleto, além de arritmias que podem ser até fatais.

 

  Todo nódulo na tireoide precisa ser operado.

Mito. A maior parte dessas alterações é benigna, logo, não precisam ser removidas. Porém, caso o médico suspeite de um câncer, a cirurgia pode ser indicada.

 

  Hipotireoidismo reduz o desempenho físico.

Verdade. Devido à redução do metabolismo, quem sofre com o distúrbio da tireoide ‘funciona’ mais lentamente. Com isso, tanto as atividades físicas, especialmente em atletas profissionais, quanto o desempenho sexual e intelectual ficam comprometidos. Daí a dificuldade para trocar a caminhada pela corrida, por exemplo, e raciocinar ou tomar decisões mais rapidamente. A boa notícia é que a reposição hormonal reverte todos esses sintomas.

 

  Hipotireoidismo é muito perigoso durante a gestação.

Verdade. Para uma gravidez tranquila é essencial que a glândula funcione direito, especialmente nas 12 primeiras semanas, período em que alguns hormônios da futura mãe diminuem e outros passam a ser fabricados, a placenta começa a se formar e o bebê desenvolve seus principais órgãos. Por outro lado, a falta de cuidado com o hipotireoidismo pode causar parto prematuro, defeitos neurológicos, QI abaixo do normal, surdez e até aborto.

 

  É importante fazer ultrassom uma vez por ano para ter o diagnóstico de câncer de tireoide.

Mito. O exame é bastante sensível e, por isso, acaba rastreando até mesmo os nódulos que não são malignos e, com isso, pode levar a preocupações desnecessárias. O melhor teste para diagnosticar disfunções tireoidianas é a dosagem de TSH, feita a partir do sangue e que deve ser colhido pela manhã.

 

 

Fonte: Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.